Projeto que tira sal da água dobra alcance
11-08-2006 11:27
O governo federal pretende investir R$ 6 milhões para duplicar o número de Estados brasileiros beneficiados por um projeto que trata águas subterrâneas de maneira a torná-las próprias ao consumo humano. A estratégia tem como prioridade localidades de menor IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), uma adaptação do IDH aos indicadores regionais brasileiros, feita pelo PNUD e outros parceiros). As taxas de mortalidade infantil e os problemas provenientes da falta de chuva de cada área também serão levados em conta.
O projeto chama-se Água Doce e é fruto de uma parceria entre a Secretaria Nacional de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Ele consiste na instalação e recuperação de dessanilizadores, usados no aproveitamento de águas subterrâneas com alto teor de sal para o consumo humano. Hoje, o programa atende 60 regiões de cinco Estados. O objetivo é aumentar esse número para dez.
“Buscamos privilegiar os lugares com menor IDH. Utilizaremos outros critérios também, como os índices de pluviometria. São necessários cinco litros de água por dia para atender as necessidades de uma pessoa. Onde isso não ocorre, levaremos o dessalinizador”, afirma a técnica especializada da Secretaria de Recursos Hídricos, Regina Generino. “As regiões onde morrem mais crianças também receberão maior atenção entre as possíveis áreas de atuação do programa”.
Além de tratar a água subterrânea, o dessalinizador permite que a parte não utilizada, chamada de concentrado, seja usada na produção de peixes e na irrigação de plantas para alimentação animal. Há no Brasil aproximadamente 2 mil dessalinizadores instalados, 60% deles desativados, segundo a Secretaria de Recursos Hídricos. A proposta do Água Doce é recuperar 1.500 desses equipamentos e criar estruturas para o funcionamento de mais 5 mil. “A idéia é que, com o tempo, as próprias comunidades passem a gerir o processo de dessalinização. Antes, quando o equipamento era instalado, não havia ninguém para cuidar. O Água Doce prevê o treinamento de pessoas para a manutenção da obra”, destaca Regina. O treinamento deve ser realizado em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande.
Em Alagoas e Sergipe, o programa já funciona com o apoio da Petrobrás. Na Paraíba, o auxílio parte da Fundação Banco do Brasil. A Água Doce atende ainda Pernambuco e Bahia.
Com informações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

