Programas sociais contribuem para elevar vendas dos supermercados
O lançamento de um anuário de informações sobre o setor de supermercados, feito pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), nesta semana, reforça o acerto das políticas de transferência de renda implementadas pelo Governo Federal. O levantamento mostra que elas estão permitindo o acesso da população das classes D e E ao mercado consumidor e a consequente movimentação da economia, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. O volume de venda dos supermercados no Nordeste, em 2008, superou o do Sul, região menos populosa, como já havia acontecido com os dados gerais de aumento no consumo e de energia elétrica em 2007.
“O Bolsa Família contribuiu fortemente para esse cenário”, declarou o presidente da Abras, Sussumu Honda, durante entrevista coletiva, em São Paulo (SP), para divulgação do anuário SuperHiper Panorama. O Nordeste atingiu 19,6% do faturamento nacional dos supermercados ante 19,4 % do Sul, aponta a publicação. “O Programa Bolsa Família - coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) - representa um acréscimo de renda de 58% para as famílias nordestinas”, acrescentou Honda.
Esse cenário reproduz o acerto da política do governo, afirma a secretária nacional de Renda de Cidadania do MDS, Lúcia Modesto. Responsável pela execução do Bolsa Família, a secretária avalia que o programa e o incremento do salário mínimo podem ser mesmo os responsáveis pela melhoria dos indicadores da região Nordeste. O SuperHiper cita que Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região melhorou sensivelmente nos últimos anos. Em 2000, o IDH (no componente de renda) era de 0,609 e evoluiu para 0,619 em 2005.
Dados sobre o programa de transferência de renda que atende 11 milhões de famílias – metade delas moradoras dos Estados nordestinos – permeiam várias das quase 300 páginas do anuário, que mostra resultados do setor em 2008 e aponta perspectivas para este ano. A Abras aposta no aumento da oferta de produtos voltados para as classes C e D, que se transformaram na principal base de consumo no País, e queda nas vendas de produtos alimentares de maior valor agregado, que têm preços mais elevados.
O SuperHiper Panorama destaca ainda o movimento de desconcentração de renda promovido pelos programas sociais do Governo Federal nos últimos anos, como um dos responsáveis pelo crescimento do consumo doméstico, além do acesso ao crédito, do aumento do emprego e do aumento real do salário mínimo. Essas circunstâncias levaram os supermercados a um crescimento real de 8,9% em 2008 em relação a 2007.
Com a melhora da renda obtida nos últimos anos, o Nordeste virou o maior foco de atenção do mercado de consumo brasileiro e ultrapassou a região Sul no ranking do consumo nacional, observa o anuário. A publicação mostra ainda que o crescimento acontece principalmente na classe C. “À medida que tem demanda, abre oportunidade de outro cenário na região”, observa Lúcia Modesto, acrescentando que o segmento de maior ampliação foi o de alimentos. O Bolsa Família transferiu para a região Nordeste R$ 5,6 bilhões em 2008 - mais da metade dos R$ 10,6 bilhões do programa.
A publicação reforça as mudanças ocorridas nos aspectos socioeconômicos nos últimos anos. “A ascensão das classes D e E ao consumo, sedimentada ao longo de 2007 e consagrada em 2008 pelo bom desenvolvimento da economia e pela forte ação de programas governamentais de combate à fome, como o Bolsa Família, oxigenou as vendas no varejo, especialmente em regiões onde a desigualdade ainda predomina no País, como o Nordeste”, diz o texto. O SuperHiper resume que a renda permitiu não só que mais consumidores tivessem acesso a alimentos e gênero de primeira necessidade ou que supermercados ganhassem mais clientes foi decisiva para fomentar o crescimento de toda a economia da região.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)