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Peti quilombola na Paraíba tem ampla área de lazer

29-08-2006 13:26

Campo de futebol e quadra de vôlei. Piscina e muitas árvores. Um amplo espaço para atividades recreativas e de socialização é o que mais chama atenção na unidade do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), na comunidade quilombola Gurugi, município de Conde (PB). No local - um sítio alugado pela prefeitura - 157 crianças, no período em que não estão na escola, praticam esportes, brincam, fazem o dever de casa e recebem reforço escolar.

“Estou feliz aqui. É muito bom. A gente brinca e faz amizade”, conta Josehilton da Silva, de 11 anos, apaixonado por futebol e considerado “rei” da “embaixadinha”. Segundo a coordenadora do Peti Gurugi, Magna Fernanda de Moura, as crianças têm mais tempo para curtir a infância, longe do trabalho. “Aqui, elas não têm o compromisso de ajudar os pais no trabalho braçal como tinham antes, principalmente na coleta da acerola”, comenta.

A coordenadora diz que o Peti tem colocado em discussão a cultura quilombola e afirma que a maioria das crianças conhece a sua história. Uma das atividades do programa é o ensinamento do “Coco de roda”, uma dança típica da comunidade.

Além das atividades esportivas, as crianças utilizam materiais recicláveis na produção de objetos de arte e participam de palestras e projetos que estimulam a leitura, como a confecção de livros que contam a história da comunidade. A secretária municipal de Trabalho e Ação Social, Rivalina de Macedo, diz que pretende colocar um biblioteca no local e implantar cursos profissionalizantes para os jovens que deixam o Peti, quando completam idade acima da exigida pelo programa.

Oportunidades
A nova unidade do Peti é recente na comunidade. Começou a funcionar em janeiro. O espaço anterior era apertado e quente, com telhas de amianto e apenas um banheiro. Não tinha como fazer atividades recreativas. “A gente ficava meio sufocado”, diz Antônio de Pádua, 13 anos. Hoje, ele aproveita para fazer o que mais gosta: jogar futebol.

Antônio, que antes de ingressar no Peti trabalhava numa barraca na praia, está no programa há quatro anos. Ele freqüenta a quinta série do ensino fundamental e mostra que seu aprendizado está melhorando. “Até agora não fiquei de recuperação”, comemora. A coordenadora enxerga no Peti um espaço de oportunidades. “Várias crianças que avançam nos estudos têm pais e avós analfabetos. E os seus filhos poderão ter um vida melhor”, ressalta Magna de Moura.

Mas a coordenadora destaca que nem todos os pais valorizam as atividades do programa. “Alguns acham que colocar a criança para trabalhar na roça dá mais lucro que as manter no Peti.” Magna também alerta que, às vezes, as crianças reclamam da falta de material escolar. Apesar das dificuldades, ela avalia, por meio de conversa com os professores, que há avanços no rendimento escolar pelo fato das crianças não precisarem trabalhar.

No Peti, todos recebem alimentação. No caso de 20 crianças que moram em lugares mais distantes, também é servido o almoço e o transporte as leva à unidade do programa e, depois, de volta para casa. Por mês, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) repassa R$ 13.500 ao município de Conde para as duas ações que envolvem o Peti: pagamento do auxílio financeiro e atividades socioeducativas.

O auxílio financeiro mensal, no valor, por criança, de R$ 40, na zona urbana, e R$ 25, na área rural, é pago às famílias, por meio da prefeitura ou cartão magnético. Para o custeio das ações socioeducativas do Peti, o Ministério repassa aos municípios R$ 20 mensais, por criança beneficiária.


Com informações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)