Pela primeira vez, pesquisa avaliará situação nutricional de comunidades quilombolas
25-08-2006 18:28
Durante a campanha de vacinação, que acontece neste sábado (26/08), crianças com até cinco anos de idade e que vivem em áreas remanescentes de quilombos serão medidas e pesadas. E suas famílias responderão a questionário sobre alimentação, condições socioeconômicas e acesso aos programas sociais e à assistência à saúde das crianças.
É a "Chamada Nutricional", que avaliará, pela primeira vez, a estatura e o peso de crianças 60 comunidades quilombolas, em 22 estados. O levantamento, feito por amostragem, subsidiará o aprimoramento das políticas públicas, conforme explicou a secretária executiva do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS): "A pesquisa pretende avaliar em que medida o acesso a programas como o Bolsa Família, Cisternas e Inclusão Produtiva, por exemplo, está influenciando nas condições de vida das crianças".
Márcia Lopes lembra ainda que há poucas informações sobre as comunidades quilombolas e que o estudo será um ponto de partida na avaliação da situação nutricional das crianças que vivem nestas localidades. "Se queremos modificar os indicadores sociais desta população com políticas sustentáveis esse levantamento é fundamental, pois será um importante instrumento para conhecer mais a realidade quilombola, aprimorar os programas e alcançar as comunidades que precisam", destaca.
O lançamento oficial da pesquisa será na comunidade Gurugi, no município do Conde (PB), a partir das 8h. A "Chamada Nutricional" é fruto de uma parceria entre o MDS, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), governos estaduais, prefeituras e universidades. Os resultados serão divulgados até o final deste ano.
Pelo decreto de 2003, consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos "os grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição com trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais específicas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida".
No ano passado, uma avaliação nutricional semelhante envolveu 17 mil crianças do Semi-Árido e de assentamentos da reforma agrária, no Nordeste e no norte de Minas Gerais. Pelo levantamento, foi possível constatar redução na desnutrição infantil nesta região. O índice, que era de 17,9%, em 1996, caiu para 6,6%, em 2005.
Com informações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)