Mulheres são maioria nos empréstimos para negócios próprios
Cinqüenta e dois por cento dos empréstimos feitos em instituições de microcrédito, habilitadas pelo Programa de Microcrédito Produtivo Orientado do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), são para as mulheres. Como chefes de famílias ou apenas para complementar a renda trabalhando em casa, as empreendedoras tornam-se alvo ideal para os programas de crédito.
Essa participação feminina é bem maior no Banco da Família de Lages. Criado em 1998 como Banco da Mulher, o público feminino representa hoje 61,18%, dos 3.859 clientes ativos. O banco atua em Lages e em mais quatro municípios da serra catarinense e nos municípios de Vacaria e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
Empreendedoras
Em Lages, Roseli de Fátima dos Santos conheceu o Banco da Família há três anos, por indicação de uma amiga. O primeiro empréstimo ela usou para comprar semijóias e artigos de couro para revenda, em torno de R$ 3 mil pagos em 18 meses. Ela logo descobriu que poderia usar o banco também para trocar cheques. Outros empréstimos vieram, inclusive para a reforma da casa dela.
Atualmente, Roseli trabalha com couros e é sócia de uma loja de roupas íntimas, com sua irmã. A revenda das mercadorias complementa a renda de Roseli, que é funcionária de um hospital da região. “O Banco da Família é um apoio para a gente aqui em Lages. Até mesmo para quem não está no comércio, porque qualquer pessoa pode conseguir empréstimo para reformar a casa, por exemplo”, diz ela.
A viúva Terezinha da Rosa, 58 anos, trabalha por conta própria há oito anos, em Curitibanos (SC). Ela fabrica cucas, bolachas, biscoitos e bolos e com a renda criou, sozinha, os quatro filhos. Com o dinheiro emprestado, aumentou o espaço de sua “fábrica” e melhorou a produção. Terezinha fatura em torno de R$ 2 mil por mês com o negócio e não pára de receber encomendas.
A instituição, uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), atua diretamente na comunidade, com representantes batendo de porta em porta. O valor mínimo emprestado é de R$ 200 e, o máximo, de R$ 10 mil. De acordo com Cristiane de Sá Rodrigues, gerente de crédito, a média de valores emprestados é de R$ 1,8 mil.
A carteira de crédito está, atualmente, em R$ 5 milhões. O prazo máximo para o pagamento do empréstimo é de 24 meses, com juros de 3,9% ao mês. O percentual de inadimplência está em torno de 1,5%, um pouco mais alto que no ano passado, quando o percentual ficou em 1%.

