Hortaliças exóticas ajudam a diminuir nanismo na juventude
30-08-2006 15:41
Você já pensou em se alimentar de uma fruta típica da Amazônia que auxilia no controle do colesterol e ajuda na prevenção do pelagra -doença que se caracteriza por alterações na pele que parecem queimaduras solares e agravam-se quando expostas à luz solar? Esta fruta existe e o nome dela é cubiu (Solanum sessiliflorum), e é apenas uma das diversas hortaliças não convencionais ou exóticas que podem fazer parte da alimentação humana, mas, que por falta de conhecimento da população não recebem a atenção adequada. É o que explica o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Carlos Roberto Bueno, doutor em Fisiologia Vegetal.
Ele disse que o cubiu é uma hortaliça que pode ser plantada tanto em terra firme quanto em várzea, ou seja, é uma planta fácil de ser cultivada. Além disso, ela já foi testada em alimentos, como a caldeirada - espécie de ensopado com peixe. Bueno ressaltou que o cubiu possui uma substância chamada pectina. O nome parece até estranho, mas ela pode ser utilizada na indústria de alimentos (fabricação de geléias), no controle do colesterol e de diarréias. A planta também é rica em vitamina B5, que evita o desenvolvimento da pelagra - avitaminose causada por deficiência de niacina.
O pesquisador destacou também que o maior problema está na disseminação da forma de ser ingerida. Ele afirmou que é necessária a elaboração de receitas à base de cubiu para que a população possa consumi-la. Outro fator verificado é que, como não há procura, conseqüentemente, são poucos os produtores interessados em cultivá-la.
De acordo com ele, estudos nutricionais no estado do Amazonas mostraram que mais de 70% das crianças apresentam nanismo nutricional, ou seja, baixa estatura causada devido à falta de uma alimentação balanceada. O problema é ocasionado, principalmente, pela ausência de vitamina A, zinco e ferro, e está ligado aos aspectos culturais e socioeconômicos da região.
Carlos Bueno disse que uma das saídas para o problema alimentar seria a introdução das hortaliças na merenda escolar, pois as mesmas possuem alto valor nutricional, além do potencial de produtividade. “As comunidades indígenas, populações ribeirinhas e agricultores tradicionais são os que, ainda hoje, cultivam e consomem as espécies nativas”, destacou. Isto se deve porque o mercado está voltado para a agricultura extensiva, diminuindo a agricultura tradicional (alternativa).
Palestra
As hortaliças exóticas fazem parte da palestra Hortaliças Não Convencionais para a Amazônia, que acontece nesta quinta-feira (31/08), às 20h40, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em Manaus. A apresentação será realizada durante o 1º Simpósio da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC) no Amazonas, que teve início no início da semana e cujo o tema é Desafios e Perspectivas da Realidade Amazônica: Pesquisa e Sustentabilidade.
Bueno citou como exemplo de hortaliças exóticas que podem ser incluídas na alimentação diária, a bertalha (Basella rubra), espinafres africanos (Amaranthus cruentus e Celosia argentea), taioba (Xanthosoma spp e Colocasia spp), ariá (Calathea allouia), feijão-de-asa (Psophocarpus tetragonolobus), feijão-macuco (Pachyrrhizus tuberosus) e cubiu (Solanum sessiliflorum).
Com informações do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT)