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FAO divulga documento com lições sobre o Fome Zero

28-08-2006 17:46

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) reconhece a diminuição da fome no Brasil como resultado de ações e programas sociais empreendidos pelo governo federal e parceiros nos últimos anos. A instituição produziu o documento Fome Zero: lições principais, no qual apresentou esta e outras constatações a sete países latino-americanos: Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, Peru e Venezuela. O objetivo da videoconferência foi trocar informações sobre a experiência brasileira no campo social.

“É impressionante ver o que o Brasil já alcançou durante os últimos três anos e meio, construindo sobre a base de programas anteriores mas ampliando sua envergadura e alcance, aumentando seus recursos e acrescentando novos componentes”, diz o documento da FAO. Entretanto, o relatório admite que há como "melhorar a eficiência, a focalização, o impacto e a sustentabilidade dos programas do Fome Zero no futuro".

FAO Brasil
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Jose Tubino, representante da FAO no Brasil
Segundo o representante da FAO no Brasil, José Tubino, o documento sintetiza o pensamento deste braço da ONU no que diz respeito ao combate à fome no País. “Os governantes de outros países mostraram interesse pelas ações sociais desenvolvidas no Brasil”, informou o dirigente. O texto serviu de base para uma das reuniões da Iniciativa para a América Latina e o Caribe sem Fome no ano 2025, da FAO.

Fome Zero: lições principais
Na introdução, o relatório cita a soma de esforços internacionais (FAO, Banco Interamericano de Desenvolvimento e Banco Mundial) e do governo brasileiro para formular o Fome Zero (FZ): “Foi um exercício estimulante para todos os envolvidos, o que culminou com um respaldo geral aos objetivos e ao conteúdo do programa”. A FAO lembra que o financiamento de atividades relacionadas ao FZ saltou de R$ 4,9 bilhões, em 2003, para R$ 11,6 bilhões, em 2006, além do “expressivo aumento” no crédito rural de R$ 3,8 bilhões para R$ 9 bilhões.

Os dados que mais despertaram interesse da instituição foram as 11,1 milhões de famílias que recebem o Bolsa Família, o total de 36,3 milhões de jovens com merenda escolar, os quase 2 milhões de pequenos agricultores agrícolas com acesso a crédito e as 150 mil famílias que passaram a desfrutar de cisternas. Além dos beneficiários, a instituição valorizou medidas estruturais, como a recriação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), a implantação do Cadastro Único, a promulgação da Lei da Agricultura Familiar e a iminente aprovação da Lei Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan).

Todas estas ações foram qualificadas como “resultados concretos”, mas que “ainda não são reconhecidos pelos formadores de opinião pública no Brasil”. No exterior, entretanto, os efeitos do Fome Zero despertaram interesse da América Latina, África e Ásia, conforme o documento da FAO.

Para o órgão, um dos principais ensinamentos se baseia “na encorajadora experiência brasileira”: “O debate é importante, mas, se existe uma lição para ser aprendida com o Brasil, esta consiste em que é preciso aceitar que estamos num processo de aprendizagem. O que sabemos é que, quando a sobrevivência de muitas pessoas está em risco, é melhor embarcar rapidamente em programas de larga escala, mesmo com conhecimento e informação imperfeito, aceitando a existência de falhas e fazer as subseqüentes correções, do que adiar sem fazer nada até que um consenso seja alcançado”.

Confira o documento Fome Zero: lições principais


Mais informações para a imprensa:
Vítor Corrêa – (61) 3433-1056
Da equipe do Portal Fome Zero