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Eletrosul beneficia 1.199 famílias com hortas comunitárias

20-09-2006 14:23

Em 2003, a Eletrosul Centrais Elétricas S.A. iniciou o programa de hortas comunitárias embaixo de linhas de transmissão de energia elétrica. Para a estatal - que tem seu sistema de transmissão localizado nos estados da Região Sul e no Mato Grosso do Sul, área que abriga um contingente populacional da ordem de 28 milhões de habitantes - a vantagem é a preservação dos cabos de alta tensão. Mas, além evitar a depredação, o acúmulo de lixo e o crescimento de árvores nas linhas, a companhia passou a assegurar, a partir de então, alimentação saudável a 148 famílias na cidade de Curitiba (PR).

Bruno Spada / MDS
Katia Campos
Secretária do MDS Kátia Campos
Daquele ano até 2006, o número de famílias atendidas aumentou para 1.199 e o programa se espalhou por toda a área de atuação da Eletrosul. Segundo o diretor de Administração e de Gestão Financeira da empresa, Antônio Viture, o projeto surgiu diante de recomendações do Governo Federal. “As orientações eram para que as estatais desenvolvessem ações sociais. Então, implementamos o programa horta comunitária que está inserido na temática do Fome Zero”, afirma.

A secretária de Articulação Institucional e Parcerias do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Kátia Campos, compartilha de opinião semelhante à do dirigente da Eletrosul. “As hortas comunitárias atingem dois aspectos do Fome Zero: garante a segurança alimentar e a geração de trabalho e renda às famílias atendidas”, diz. Se, por um lado, os beneficiados desfrutam de legumes e verduras de qualidade, por outro, podem comercializar o que sobrar da plantação.

É o caso do biscateiro Roberto Fernandes, de 25 anos, morador de Curitiba (PR). Ele cultiva alface, repolho, couve-flor, dentre outras hortaliças, há oito meses, num terreno médio de 68,5 m2 embaixo de linhas de transmissão da Eletrosul. “Comíamos poucas verduras antes da entrarmos no programa”, lembra. Dividem a casa com Roberto, o pai, de 57 anos, que trabalha numa oficina mecânica, e a mãe, de 49, dona-de-casa. A renda mensal da família é de R$ 700.

Desde que começou o trabalho na horta, no entanto, a receita da casa tem aumentado. Todo fim de semana, Roberto sai de casa em casa vendendo a produção excedente. Num mês, arrecada cerca de R$ 360. “O pé de alface sai por R$ 0,50 e o maço de couve por R$ 0,80”, informa o jovem. Com a renda extra, ele tenta concluir a construção da moradia. “Estou comprando sacos de areia e de cimento. Depois da casa, quero poder dar conforto a meus pais que estão ficando velhos”, conta Roberto.

O aposentado Manoel Farias, de Palhoça (SC), também comercializa as verduras e legumes que sobram da plantação. Ele pega um carinho de mão e segue oferecendo sua produção. Além de uma alimentação sem agrotóxicos, com as vendas, o agricultor aumentou a renda familiar. “Antes, só tinha como plantar cebola e temperos no quintal de minha casa. Nas linhas de transmissão, planto repolho, beterraba, alface”, alegra-se seu Manoel.

Sem gasto com produção em Curitiba (PR)
Quando vai instalar uma unidade do programa, a Eletrosul disponibiliza o terreno e a maquinaria necessários para a primeira colheita. Além disso, parcerias entre a companhia e prefeituras permitem que as famílias beneficiadas não gastem um centavo com a manutenção das hortas. Na capital paranaense, por exemplo, há fornecimento mensal de mudas, adubos e serviços especializados, quando necessário. Lá, estão 25,4% das famílias atendidas e nas hortas do projeto já foram produzidas mais de 215 toneladas de alimentos.

Esta realidade faz parte do dia-a-dia da dona-de-casa Josefa Bernacki. No terreno de 112m2, cedido pela Eletrosul para o cultivo de horta, ela planta cenoura, batata doce, mandioca e diz que os gastos com alimentos diminuíram nos últimos dois anos. “Economizo 90% dos gastos que tinha com verduras e legumes, cerca de R$ 10 por semana. Nunca mais comprei um pé de alface, nem aipim”, orgulha-se.

Bruno Spada / MDS
Horta Comunitária-Dois homens (couve)
Horta Comunitária
Porém, a mudança mais significativa que o programa trouxe para a vida de Josefa foi na área da saúde. “A horta é uma verdadeira terapia. Antes, eu vivia estressada por causa do trabalho em casa e do cuidado com meus três filhos”, conta. Segundo ela, basta meia hora diária para manter a horta e aliviar a tensão.

Vizinha de Josefa, a dona-de-casa Raquel Vieira colhe os frutos saudáveis que a horta lhe proporcionou. “Antes, o prato normal de casa era arroz, feijão e carne. Hoje, comemos mais verduras do que carne”, lembra. Ela diz também que, graças à mudança no hábito alimentar, o filho desempregado, de 20 anos, conseguiu voltar ao peso ideal. “Ele era obeso e agora controlou o peso. Estava com 80kg e passou para 62kg”, comemora a mãe do garoto.

Linhas de transmissão
Para o diretor da Eletrosul Antonio Viture, a integração com a comunidade é um dos objetivos do programa. Ele acredita que há como aumentar o número de hortas. “O programa pode ser feito em todas as linhas de transmissão, com exceção de onde o desnível do local não permitir”, informa.

O dirigente explica que linhas de transmissão são diferentes de postes, que servem para iluminar ruas e avenidas. O cabo de alta tensão garante que a energia produzida em quatorze usinas do Sul do País e do Mato Grosso do Sul chegue até centros urbanos. A Eletrosul é responsável por 17% do mercado brasileiro, com mais de 9 mil km2 de linhas.

Cada uma das torres tem de 2,3m a 3m de altura. “Se uma árvore atingir uma linha de transmissão, pode haver curto-circuito e interrupção no fornecimento de energia. Com as hortas, não temos este risco”, ressalta o diretor Administrativo da empresa, Antonio Viture. Tal segurança pode ser encontrada em áreas de quatorze cidades: Palhoça, Joinville, Ilhota, Siderópolis, Jaraguá do Sul e Canoinhas, em Santa Catarina; Curitiba, Rio Bonito do Iguaçu, Toledo e Araucária, no Paraná; Anastácio, Campo Grande e Dourados, no Mato Grosso do Sul; e Farroupilha, no Rio Grande do Sul.

Desde 1987, outra empresa de energia desenvolve o programa de hortas comunitárias. É a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), responsável pelo fornecimento energético a oito estados do Nordeste brasileiro. Assim como a Eletrosul, a Chesf é certificada como parceira do Fome Zero. Ambas as companhias são vinculadas ao Ministério de Minas e Energia (MME).


Confira o mapa de linhas de transmissão da Eletrosul


Links relacionados
Eletrosul Centrais Elétricas S.A
Parcerias Fome Zero


Informações para imprensa:
Vítor Corrêa – (61) 3433-1056
Ascom-Internet / MDS