Curso para padeiros tira jovens da pobreza
10-08-2006 11:05
Um projeto desenvolvido pela Universidade do Vale do Itajaí em Florianópolis pretende transformar jovens de comunidades pobres em padeiros e confeiteiros profissionais. A iniciativa capacitará 60 alunos, com matérias que vão desde cidadania e direitos humanos até administração financeira. “Não adianta ensinar a pescar, temos também que ensinar a vender o peixe”, resume Pedro Floriano dos Santos, coordenador da atividade, intitulada Panificadora Comunitária Pão e Sonho.
Por isso, conta Santos, o programa planeja montar uma pequena empresa, gerenciada pelos alunos do curso, para vender os produtos feitos em aula. “A idéia é uma unidade de produção que não seja só um local de geração de renda, mas que seja um centro de treinamento também. Daremos cursos de gastronomia e doces finos para agregar mais valor ao produto e, com isso, poderemos aproveitar o mercado turístico de Florianópolis e vender esses produtos na cidade”, diz.
O projeto é uma das iniciativas contempladas pelo Programa de Inclusão Produtiva de Jovens, realizado pelo PNUD e pelo governo federal. Por meio dela, 38 projetos de instituições de ensino superior receberam R$ 8 milhões, para desenvolverem atividades voltadas a geração de emprego para meninos e meninas de baixa renda. A panificadora comunitária foi contemplada com cerca de R$ 187 mil, destinados a compra de equipamentos e a capacitação dos jovens.
O primeiro curso, de uma série de três, deve começar ainda em agosto. Os 20 alunos, que devem ter entre 18 e 24 anos e uma renda familiar de até um salário mínimo, estão sendo selecionados. Para a escolha, serão levados em conta também o local onde o jovem mora — que deve ser preferencialmente nas comunidades Agronômica (onde fica o centro de treinamento), Flor, Trindade, Monte Serrat e Prainha (próximas ao lugar) — e se eles têm familiares com doenças crônico-degenerativas. “O custo dos medicamentos é muito alto. Com a atividade, eles poderão ajudar a complementar a renda de casa”, justifica o coordenador do projeto.
Por seis meses, cada turma terá aulas de cidadania e direitos humanos, gestão aplicada a microempresas, administração financeira, administração de produção, higiene de manipulação de alimentos, boas práticas de alimentos, técnicas básicas de cozimento, técnicas para a fabricação de massa e de pães e produtos de confeitaria. A primeira classe formada deve começar a gerenciar a panificadora.
“Esperamos que esse projeto mude muito a vida desses jovens e da comunidade. Queremos formar empreendedores. Não é só ensinar a ser padeiro, mas também a ser gerente de uma panificadora, para que se ele quiser sair do curso e montar uma padaria ele possa. Isso também vai ajudar a gerar emprego e renda nas próprias comunidades”, prevê Santos. Além da verba do Programa de Inclusão Produtiva de Jovens, a iniciativa ainda conta com a ajuda da Prefeitura de Florianópolis — que financiou a reforma de adequação do prédio —, da AFLOV (Associação Florianópolitana de Voluntárias) e da instituição Cidade da Criança.
Com informações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)

