Cras de Mamborê (PR) começa a mudar a vida de moradores
29-11-2006 14:15
Na rua Guadalajara, próximo à praça João Szesz, fica o Centro de Referência da Assistência Social (Cras) de Mamborê, também conhecido como Casa das Famílias. O município fica no Noroeste paranaense, a 480 quilômetros da capital Curitiba. Ali, a prefeitura, com recursos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), oferece cursos profissionalizantes a comunidades carentes e também atendimento sócio-educativo.
Como muitas cidades interioranas do Sul do Brasil, Mamborê tem uma forte produção agrícola e apresenta bons números no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,74, ou seja, ocupa a posição 2.019 no ranking. Dos 14,6 mil moradores, cerca de 8,2% estão na condição de pobreza, de acordo com o Instituto de Pesquisa de Econômica Aplicada (Ipea). São bóias-frias, diaristas, domésticas e ambulantes que têm renda garantida somente no período de colheita. A coordenadora local do Sistema Único da Assistência Social (Suas), Nadia Fantin, diz que o Cras tem o desafio de melhorar as condições sociais dessas pessoas durante todo o ano.
Irani Campos da Silva, de 32 anos, já começa a sentir os efeitos do trabalho da assistência social. Ele é autônomo e consegue, em média, R$ 200 por mês no trabalho com reforma de carros. A renda de Irani sustenta a esposa, a dona-de-casa Zélia Aparecida e a filha Larissa, de seis anos. As contas da casa, no distrito rural Patrimônio Guarani, distante 22 quilômetros de Mamborê, ganham o reforço dos R$ 65 mensais do Bolsa Família. Irani foi selecionado para fazer o curso de qualificação em eletricidade, um dos oferecidos pelo Cras local.
Além do trabalho extra com os automóveis, Irani ganhou outra ocupação: eletricista. “De quinze em quinze dias, aparece um serviço novo. Há pouco tempo fiz uma instalação numa casa e ganhei R$ 50”, comemora Irani. “Em dois dias de trabalho consegui, com o pagamento, comprar remédio e roupas para a família”.
Letícia Lionço

Seu Ari ensina como fazer instalações elétricas
Qualificação e agricultura
O desnível social explica, em parte, o fato de a infra-estrutura de Mamborê ter possibilitado a plantação 262 mil toneladas de soja, milho e trigo em 2004, mas não a capacitação de mão-de-obra qualificada. Entre os mamboreenses, por exemplo, há apenas um profissional de eletricidade para atendimentos domiciliares. Trata-se de seu Ari Pereira, de 54 anos, trinta deles dedicado a consertos elétricos. Ele é o instrutor do grupo de 30 novos trabalhadores do ramo que estão sendo formados pelo Cras.
Seu Ari conta que a casa dele é a “central de eletricidade” de Mamborê. “Quando precisam de serviços, sempre me ligam. Recebo mais de quatro pedidos por semana”, gaba-se. Acontece que, depois do curso, os trabalhos elétricos estão sendo repassados para os alunos. A solidariedade de seu Ari é o início do que a coordenadora do Suas, Nadir Fantin, quer desenvolver no município: Associação de Trabalhadores Específicos.
Letícia Lionço

Curso de costura, um dos oferecidos no Cras
A coordenadora do Programa de Atenção Integral a Família (Paif) do Ministério do Desenvolvimento Social, Helena Ferreira de Lima, analisa o poder social dos Cras: “Os projetos de geração de renda que são desenvolvidos têm sido uma grande oportunidade e estratégia de ‘empoderamento’ das famílias, fortalecendo a auto-estima e, ao mesmo tempo, promovendo a preparação para o trabalho, a aquisição de renda para o seu sustento e o fortalecimento da economia no território onde vivem” destaca ela.
Além do lado financeiro, a coordenadora do Cras de Mamborê, Soely Maria da Graça, é testemunha de outro aspecto positivo no Centro: “As pessoas dizem que, pela primeira vez, estão sendo 'olhados' por alguém. Elas sentem que há uma preocupação social com cada morador”.
Cras pelo Brasil
Em todo o Brasil, 1.621 municípios de todos os estados contam com Centros de Referência da Assistência Social. Além de cursos profissionalizantes, as 2,2 mil unidades oferecerem assistência psicológica e social, com ênfase no trabalho familiar. O objetivo é superar, por exemplo, problemas ligados ao alcoolismo e à violência doméstica.
Na semana passada, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, anunciou a instalação de mais mil Cras, a partir de 2007. Terão preferência, municípios onde não há nenhuma unidade em funcionamento. Os investimentos devem chegar a R$ 53 milhões.
Vítor Corrêa – (61) 3433-1056
Da equipe Fome Zero