Comunidades quilombolas do Sul se unem em rede de compras
Dezessete comunidades quilombolas do Rio Grande do Sul estão alcançando a auto-sustentabilidade praticando a economia solidária desde abril do ano passado. Com o projeto “Quilombolas em Rede”, uma iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), desenvolvida pela ONG Palmares, essas comunidades reduzem custos de alimentação por meio de compras coletivas.
A partir do projeto inicial, os quilombolas passaram a se organizar em cooperativas para também expandir e comercializar sua produção. O projeto, paralelamente, possibilita a inclusão digital dos quilombolas.
O "Quilombolas em Rede" foi um dos vencedores do Prêmio Petrobras Fome Zero de 2004, que recebeu prêmio R$ 500 mil para operacionalizar o projeto nas 17 comunidades quilombolas no estado. A iniciativa tem fortalecido a identidade quilombola do estado e a ampliação do poder de compra destas comunidades por meio de compras coletivas.
Restinga Seca
As primeiras comunidades a aderiram à “Rede” foram as de Rincão dos Martimianos e São Miguel, localizadas em Restinga Seca, na região central do Rio Grande do Sul. Metade das 50 famílias passou a comprar coletivamente e reduziu em até 20% os gastos mensais com alimentação.
“Dessa iniciativa, as comunidades formaram sua própria cooperativa e, hoje, também se preocupam com produção e comercialização dos seus produtos”, explica o presidente da ONG Palmares, Gilberto Silva.
Ele informa que o projeto possibilitou, ainda, a inclusão digital dessas comunidades. “Atualmente, cem computadores servem às comunidades e facilitam a formação da Rede Quilombola”. Segundo Silva, a proposta é a de levar essa experiência a outras
A rede
O “Quilombolas em Rede” é gerido por um comitê local, cujos integrantes são escolhidos pelas comunidades, que realiza pesquisa mensal de preços. Os produtos são comprados nos locais mais baratos e todos de uma só vez. Além de baixar o custo, as compras são entregues pelo fornecedor na comunidade, terminando com o desconforto e os problemas acarretados com o transporte quando feitas de forma individual.
A intenção do projeto é proporcionar o acesso a alimentos em quantidade e qualidade necessárias à satisfação das exigências nutricionais básicas, de acordo com as normas do Conselho Nacional de Segurança Alimentar.
O “Quilombolas em Rede” se baseia em três eixos: fortalecimento da identidade cultural; economia solidária; e agricultura ecológica. A finalidade é a de preservar as múltiplas diversidades das comunidades (cultural, social, política, econômica e ambiental), desenvolvendo políticas com perspectiva na autogestão e na auto-sustentabilidade.
Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego