Chuvas e estiagem motivam antecipação no pagamento do Bolsa Família em 647 municípios
Brasília, 7 – Desde dezembro de 2011, diversos municípios em todo o país têm sofrido com a estiagem ou as chuvas além do esperado. Pensando em amenizar a situação das famílias beneficiárias do Bolsa Família atingidas pelas calamidades, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) já antecipou o pagamento do benefício a 794.327 famílias em 647 municípios, num total acima de R$ 91 milhões.
Os estados mais atingidos pelas chuvas foram Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, que tiveram pagamento antecipado em 231 municípios. Desses, 207 em Minas, onde a situação é mais grave, seguida por 14 no Espírito Santo e dez no Rio de Janeiro.
O coordenador-geral de Logística de Pagamento de Benefícios do MDS, Gustavo Camilo Baptista, afirma a preocupação do ministério com a questão social, agravada pelos decretos de emergência e calamidade. “A política do MDS é de aliviar o sofrimento das famílias com o pagamento do benefício de forma antecipada. Assim, cada beneficiário consegue avaliar sua necessidade imediata e supri-la conforme julgar necessário.”
De acordo com o coordenador, o MDS tem como padrão a antecipação por até dois meses. Após esse tempo, os casos são avaliados individualmente. “Essa antecipação (que vale para janeiro e fevereiro) pode ser prorrogada conforme a necessidade de cada município, de acordo com a documentação encaminhada pelo governo local.”
Além de suprir as necessidades básicas dos beneficiários, o pagamento antecipado do Bolsa Família favorece a reconstrução da economia local, beneficiando também comerciantes, prestadores de serviço e membros da comunidade. “O impacto do pagamento vai além das famílias beneficiárias”, diz Gustavo.
Estiagem prolongada – Na Região Sul, a estiagem é ainda mais alarmante. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul somam 434 municípios que decretaram situação de emergência ou de calamidade pública. No Rio Grande do Sul, a antecipação do benefício se estende a 279 cidades, onde os agricultores perderam quase toda a plantação do período.
Sem previsão de chuva para os próximos dias, muitos agricultores e pecuaristas da região sofrem com a falta de água para consumo próprio, irrigação das lavouras e alimentação dos animais.
O gerente técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) do Rio Grande do Sul, Dulce Pinheiro Machado, explica que, apesar de ser comum neste período do ano na maioria dos municípios do estado, a seca surpreendeu os produtores locais por ter chegado mais cedo que o previsto.
“Desde novembro não tivemos mais nenhuma gota d’água, quando o normal do período é justamente armazenarmos água para a estiagem que esperávamos em meados de dezembro e início de janeiro. Fomos todos pegos de surpresa”, diz.
Machado esclarece que, entre os principais atingidos, estão os produtores de milho e fumo, que correspondem à maior economia da fronteira oeste do estado. “Esses dois tipos de cultivo estão praticamente perdidos. Um prejuízo enorme para quem depende dessas culturas de subsistência. Além da perda nas plantações, o material descartado, que era usado como pastagem, também acarreta prejuízos para os pecuaristas de gado leiteiro.”
Previsão – O meteorologista Mamed Luís Melo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), alerta que, para os estados atingidos pelas chuvas (Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais), as previsões são otimistas. “Até a próxima sexta-feira (10), esses estados terão aumento de temperatura e calor nos próximos dias. A previsão é que, no fim de semana, chuvas torrenciais atinjam pontos isolados no Rio e na Zona da Mata mineira, mas nada que gere preocupação semelhante à do fim de 2011.”
Por outro lado, Melo acredita que o extremo sul do país ainda preocupe. “Em dois ou três dias, alguns municípios do Rio Grande do Sul terão leves pancadas de chuva, que não devem aliviar a situação do estado. Nas próximas semanas, a previsão é de queda nas temperaturas e prolongamento da estiagem”, alerta.
De acordo com Melo, o grande responsável pelas temperaturas fora do padrão no Sul seja o fenômeno La Niña, que, por apresentar características muito variáveis, dificulta as previsões e a orientação do clima. “É um fenômeno instável, com oscilação de ventos e de temperaturas. Neste momento, nem é possível prever até quando ele deve provocar esses impactos nessas regiões. Em alguns lugares do mundo, os efeitos causados pelo La Niña chegam a durar anos.”
Fernanda Lattarulo
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