Bolsa Família: pesquisa aponta que famílias gastam mais com alimentação
01-07-2008 15:24
O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) entrevistou cinco mil titulares do Bolsa Família e constatou: nos lares atendidos pelo programa de transferência de renda, o recurso é utilizado, principalmente, na compra de alimentos. Neste domicílios, também aumentou de forma acentuada o consumo de cereais, leite, carnes e frutas, principalmente nas regiões mais pobres e locais onde a insegurança alimentar é maior.
Os resultados confirmam o acerto do governo federal em conceder o reajuste no valor do benefício do Bolsa Família, anunciado na última quarta-feira (25/06) pelo ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias. De acordo com a pesquisa do Ibase, para 87% das famílias, o gasto com a alimentação é o principal destino dos recursos do programa. Em seguida, o dinheiro, segundo os beneficiários, é utilizado na compra de material escolar (46%), vestuário (37%) e remédios (22%).
A pesquisa “Repercussão do Programa Bolsa Família na Segurança Alimentar e Nutricional das Famílias Beneficiárias” foi aplicada nos meses de setembro e outubro de 2007 em 229 municípios de todas as regiões brasileiras. O levantamento, divulgado no final de semana, mostra que 94% dos titulares do cartão são mulheres, 78% vivem na área urbana, 65% são pretos ou pardos e 81% sabem ler e escrever. Em 46% dos domicílios a renda mensal total inferior a um salário mínimo.
Na avaliação da secretária nacional de Renda de Cidadania do Ministério, Rosani Cunha, a pesquisa do Ibase reafirma o que já foi constatado em outros estudos. “O programa está chegando às famílias que tradicionalmente estiveram à margem das políticas públicas”, destaca.
Arroz e feijão - Em relação ao acesso a alimentos, cerca de 70% afirmaram que a quantidade e a variedade dos produtos consumidos aumentaram. Já 63% disseram que cresceu a compra de alimentos que as crianças gostam. Além disso, 76% , 68% e 61%, respectivamente, declararam que expandiu o consumo de cereais, leite e carnes. A quantidade de alimentos elevou-se mais entre as famílias com insegurança alimentar grave. Neste grupo, que representa 21% do total, esta é a afirmação de 79,2% dos entrevistados.
Por outro lado, a pesquisa revela que elevou-se a utilização de açúcares (78%) e industrializados (62%). “As modificações na alimentação das famílias do Bolsa Família acompanham a tendência nacional. Mas, se diferenciam no que diz respeito, por parte dos beneficiários, ao aumento de arroz e feijão. No geral, a dieta das famílias é com alimentos de maior densidade calórica ”, relata a pesquisa. No Nordeste, aumentou o consumo de todos os grupos alimentares.
Segundo os entrevistados, 64% das compras são realizadas na própria comunidade e 21% dos beneficiários do Bolsa Família plantam ou criam animais para alimentação.
Trabalho - De acordo com os dados da pesquisa, 99,5% afirmaram que não deixaram de fazer algum tipo de trabalho depois que passaram a receber o Bolsa Família. Além disso, 73% vêem o Bolsa Família como algo temporário. “Até quando necessitarmos ou até que os filhos estejam no mercado de trabalho” são as frases mais utilizadas pelos beneficiários aos responder até quando as famílias devem ficar no programa.
“Todos os dados mostram que as pessoas não sem acomodam, elas buscam ocupação e o próprio dinheiro do programa faz com que elas tenham até mais mobilidade para procurar emprego”, salienta Rosani Cunha.
Na avaliação de 87% dos entrevistados, é correto que o benefício tenha a mulher como titular, pois ela “conhece melhor as necessidades da família”. Após a inclusão no programa, 49% das mulheres declaram sentir-se mais independentes financeiramente. “Aumentou o poder de decisão”, afirmam 39% das entrevistadas.
A pesquisa recomenda o reforço a programas de segurança alimentar para aumentar oferta de produtos adequados e mais investimento na agricultura familiar. Outra medida sugerida é a ampliação da alimentação escolar e dos programas de educação alimentar.
Fonte: Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)

