Os desafios da educação - Selvino Heck
25-10-2007 17:06
*Selvino Heck
Em setembro, a presidente finlandesa Tarja Halonen deu uma entrevista à Folha de São Paulo. O país, que é pequeno comparado ao Brasil, deu prioridade à educação e destina a ela 13% do PIB. O ensino em todos os níveis e o material escolar são pagos pelo setor público. O salário inicial do professor é de 1.800 euros (aproximadamente R$ 4.500), e todos têm mestrado. Uma escola de bairro da capital Helsinque tem 656 alunos, 54 professores e orçamento anual de 3,5 milhões de euros. Os adolescentes finlandeses têm os melhores resultados nas avaliações de aprendizado feitas pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A escola é custeada pela prefeitura. Os estudantes participam nas tarefas, como forma de aprendizado. São responsáveis por cuidar do aquário de tartarugas, participam da limpeza da cozinha e têm aulas semanais de costura, marcenaria e trabalho com metais. Na sala dos alunos de 9 anos, há violões, bateria, piano e outros instrumentos musicais. A escola dispõe de enfermeira, assistente social e psicóloga. Segundo um membro do Conselho Nacional de Educação finlandês, o acesso ao ensino em condições iguais, independentemente da renda familiar, é uma das chaves do sucesso do modelo. A outra é a capacitação do professor e a assistência especial imediata aos que não vão bem nos estudos.
O Brasil gasta menos de 3% do PIB na educação. O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) prevê chegar em 2022 em 6% do PIB.
O PDE prevê investimento em todas as áreas da educação. Até 2010, a previsão é ter mais 10 universidades federais novas, 48 extensões universitárias, 214 escolas técnicas profissionais e todos os municípios brasileiros deverão ter uma biblioteca.
A educação, porém, não é só números e estatísticas. A escola e o processo educacional devem também ser espaço de solidariedade, de compromisso com o outro, especialmente os excluídos e os mais pobres. Nenhuma escola nem as Universidades podem ser ilhas isoladas da realidade e do cotidiano. O Programa Escolas-Irmãs (www.brasil.gov.br/escolasirmas), por exemplo, ligado ao Gabinete de Mobilização Social da Presidência da República, é um esforço de estimular o convívio, a partilha, o encontro com o diferente, a troca de experiências entre educandos e educadores.
Diz a presidente da Finlândia: “É importante ter coragem de alocar os recursos no ensino básico e criar uma base sólida, pois dessa maneira é possível desenvolver a justiça social. A administração da educação é pública. O Estado tem que dar subsídios às áreas mais necessitadas. As universidades e instituições de pesquisa devem estar conectadas com a vida comercial e laboral”.
Pode ser o exemplo de um pequeno país, a Finlândia, mas seguramente poderá servir para um grande, o Brasil, que ainda tem um longo caminho pela frente para estar à altura de seu tamanho e de seu povo.
*Selvino Heck éAssessor Especial do Presidente

